quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Noite da Indiferença

Ele estava sentado bem distante.
Ele pediu mais uma dose.
Ele olhou para mim com aquele sorriso malicioso e inocente.
Ele me chamou para fazer companhia e eu aceitei.
Ele me envolveu em um abraço apertado e caridoso, um abraço quente, um abraço bom.
Ele sabia que ele não era só mais um para mim, ele era especial. Ele era Ele.
Enquanto ele falava sobre suas desilusões eu observava atentamente o som saindo de seus lábios e transitando no ar como uma mágica. Eu observava o simples movimentos que faziam os seus olhos, abriam e fechavam sem alguma preocupação. Observava também mais uma coisa... O movimento mudo de seus cachos brilhantes e despenteados.
Ele me fazia juras de não esquecimento. Apesar de não precisar, ele me disse que ia me amar por mais de mil anos. Ele me falou que todas as coisas eram vãs, mas ele sabia que meus braços ofereciam o calor e proteção de que ele precisava para passar mais uma noite, só mais uma? Não.
Nós conversávamos sem se preocupar com o relógio que estava acima do balcão e de nossas cabeças. Aquela noite era a noite de não se importar com nada, a não ser com o outro. Era noite em que o proibido era bem vindo, o ‘não necessário’ era preciso. Nós saímos do campo de concentração naquela noite, fomos ao quarto, onde surpresas nos esperavam. As pessoas que não nos conheciam, achávamos que éramos mais um casal, mas não era verdade. E assim a surpresa do quarto foi revelada... Fomos apenas escrever. As pessoas esperavam coisas mais interessantes, mas para nós era aquilo que interessava. Nós gostávamos.
E passamos a noite inteira escrevendo, conversando, rindo e bebendo. Estava frio lá fora e a lareira estava acesa e mantendo todos esquentados. Os casacos de pele deram lugar ao corpo sóbrio, apenas roupas comuns. Nós estávamos a sós. Não queríamos mais nada, queríamos apenas que aquele momento não acabasse nunca. Nunca mesmo.

Ele disse que iria sentir minha falta, mas nós dois sabíamos que não iria acabar assim... Ele me disse ‘Eu amo-te’, eu disse ‘Eu já sabia, eu amo-te muito mais’. O interessante é que essa história ainda não acabou. Ela vai continuar e não vai ter fim.
(G.H.)