Ele estava sentado bem
distante.
Ele pediu mais uma
dose.
Ele olhou para mim com
aquele sorriso malicioso e inocente.
Ele me chamou para
fazer companhia e eu aceitei.
Ele me envolveu em um
abraço apertado e caridoso, um abraço quente, um abraço bom.
Ele sabia que ele não
era só mais um para mim, ele era especial. Ele era Ele.
Enquanto ele falava
sobre suas desilusões eu observava atentamente o som saindo de seus lábios e
transitando no ar como uma mágica. Eu observava o simples movimentos que faziam
os seus olhos, abriam e fechavam sem alguma preocupação. Observava também mais
uma coisa... O movimento mudo de seus cachos brilhantes e despenteados.
Ele me fazia juras de
não esquecimento. Apesar de não precisar, ele me disse que ia me amar por mais
de mil anos. Ele me falou que todas as coisas eram vãs, mas ele sabia que meus
braços ofereciam o calor e proteção de que ele precisava para passar mais uma
noite, só mais uma? Não.
Nós conversávamos sem
se preocupar com o relógio que estava acima do balcão e de nossas cabeças.
Aquela noite era a noite de não se importar com nada, a não ser com o outro.
Era noite em que o proibido era bem vindo, o ‘não necessário’ era preciso. Nós
saímos do campo de concentração naquela noite, fomos ao quarto, onde surpresas
nos esperavam. As pessoas que não nos conheciam, achávamos que éramos mais um
casal, mas não era verdade. E assim a surpresa do quarto foi revelada... Fomos
apenas escrever. As pessoas esperavam coisas mais interessantes, mas para nós
era aquilo que interessava. Nós gostávamos.
E passamos a noite
inteira escrevendo, conversando, rindo e bebendo. Estava frio lá fora e a
lareira estava acesa e mantendo todos esquentados. Os casacos de pele deram
lugar ao corpo sóbrio, apenas roupas comuns. Nós estávamos a sós. Não queríamos
mais nada, queríamos apenas que aquele momento não acabasse nunca. Nunca mesmo.
Ele disse que iria
sentir minha falta, mas nós dois sabíamos que não iria acabar assim... Ele me
disse ‘Eu amo-te’, eu disse ‘Eu já sabia, eu amo-te muito mais’. O interessante
é que essa história ainda não acabou. Ela vai continuar e não vai ter fim.
(G.H.)

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